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domingo, 11 de maio de 2014

Dando um rolê pelo cemitério.





            Para algumas pessoas o titulo desse post pode parecer estranho; “dar role em um cemitério? Com tantos lugares para se ver e tirar fotos...”, pois é, dei passeio com os brothers pelo cemitério da avenida da saudade de Americana, trouxe algumas fotos, histórias e no decorrer desse posts vocês vão perceber como é comum algumas pessoas passearem pelo cemitério, um lugar rico de arte, baratas e escorpiões.


        
        Eu e meus amigos estávamos perambulando pelo cemitério,quando vimos um senhor que por lá estava fazendo alguns gabaritos de madeira, ele é conhecido por Carlinhos e trabalha lá, pedimos para ele se poderia nos mostrar algumas coisas interessantes e conversar conosco, o pernambucano então foi até o vestiário guardar seu material e dedicou um pouco de seu tempo para andar conosco.

             
            Esse tumulo é bastante interessante,começando pela sua arquitetura e design que para época em que foi montado era o que se tinha de mais requintado,também pudera, esse tumulo se trata de uma homenagem á um palhaço (que só de fazer a conexão palhaço e cemitério já pode soo ar macabro) que em um ato heroico regastou uma criança de uma enchente causada no ribeirão quilombo,infelizmente o palhaço não conseguiu se salvar e morreu afogado, a cidade então dedicou esse tumulo em homenagem pelo ato heroico.

        
            Segundo Carlinhos, essa foto é do senhor mais velho, que está enterrado no cemitério, nascido em 1840 e falecido em 1970, está enterrado Genésio de Campos, 130 anos.
           
           

            Nesse momento, Carlinhos teve que retornar ao seu trabalho, mas nos indicou mais alguns lugares para ir fotografar e procurar saber as histórias, eis que seguindo suas indicações, encontramos o tumulo do “Jovem desconhecido”, reza a lenda que um jovem foi encontrado na linha de trem, aparentava ser bom moço, trajava terno de linho, porém não havia nenhum documento com ele, nada que o identificasse e depois do descoberto, ninguém da família o procurou, porém diferente dos que são considerados indigentes, o Jovem Desconhecido foi enterrado com um tumulo digno de empreiteira, funerária e tudo mais, o tumulo estava com muitas placas, velas, flores e terços em agradecimento pelas possíveis “benção” vindas do Jovem.
           
            Quando abordamos esse senhor que estava com uma vassoura de palha varrendo as folhas do cemitério, ele se apresentou como Sebastião, muito simpático, tanto quanto Carlinhos, começaram contando alguma história de pescador para descontrair e depois nos falou mais curiosidades do lugar, tal como o poço onde jogavam os ossos e os processos do trabalho. Ao fundo da imagem é possível perceber algumas gavetas que hoje estão desativadas, mas antes era onde se colocavam os restos mortais dos indigentes.
           
            Quando Sebastião falou ironicamente “Ahhh dizem que o jovem desconhecido dá benção”, seguiu uma risada rouca com um risco de fósforo para acender um Malboro vindo desse senhor da imagem; o Craúdio, ele estava sendo acompanhado por um cachorro de rua, Craúdio nos contou que estava no cemitério apenas passeando para matar o tempo, houve outro senhor que nos disse que estava apenas passando o tempo, porém ele não quis tirar foto, alegava que não estava bem vestido para isso. Durante o nosso passeio pelo cemitério,houve um momento que Craúdio veio até nós perguntando se alguém tinha caneta para emprestar, infelizmente nós não tínhamos (foi mal Craúdio),mas ficamos super curiosos para saber que diabos ele iria fazer com a caneta.
           
            Nessa sala, atrás daqueles sacos de cimento há um poço, o poço onde era jogados ossos dos restos mortais de quem era enterrado, cheio de baratas o poço hoje está desativado e é tanto quanto inútil,quando uma família se desfazia e pretendia vender um tumulo,os ossos do ente querido lá enterrado eram jogados no poço que fica ali, hoje em dia não há mais espaço para túmulos no cemitério da Saudade, á menos que seja comprado de uma família já existente.
           
            Esse é Alexandre, também trabalha no cemitério, o cara tem umas tatuagens iradas e muito bacanas no braço, segundo ele; “já joguei muito osso nesse poço, agora tá aí, não usa pra mais nada”. Perguntei se não fedia, ele disse que o osso em si não fede logo o poço não teria um odor tão desagradável.

            E por fim encontramos a Dona Geralda, ela vive de faxina dos túmulos, as famílias pagam mensalmente, ela vai até as casas das famílias receber e cuida da limpeza. Dona Geralda trabalhava como funcionaria publica varrendo ruas, porém por problemas optou pelo trabalho autônomo de limpar os túmulos, ela estipula o próprio horário e sustenta sua família com esse trabalho, os filhos segundo ela estão estudando, alguns fazendo faculdades e trabalhando para empresas, ela opta por esse trabalho, com sua carriola, baldes, rodo e vassoura, Geralda está quase à semana inteira no cemitério.

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