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sábado, 6 de julho de 2013

Mangue Negro.

Mais que um filme nacional de zumbis, um bom filme nacional de zumbis.




Já é um fato conhecido por todos que o capixaba Rodrigo Aragão virou o novo grande nome do undeground cinematográfico nacional com seus longas já lançados chamados “Mangue Negro” e “A noite do chupa-cabras” e o mais recente “Mar Negro” que esta sendo exibindo em festivais, só assisti os dois primeiros quando comprei os DVDs e eles demonstram o total profissionalismo e talento do diretor e técnico de efeitos especiais.

Feito alguns curtas durante um tempo, o primeiro longa de Rodrigo Aragão foi o feroz ataque dos zumbis em “Mangue Negro”, que apesar de não ser o primeiro exemplo nacional sobre os monstros criados por George A. Romero, talvez seja hoje em dia, o mais famoso. Reconhecimento merecido, diga-se de passagem, já que não é apenas um filme nacional de zumbis, é um BOM filme nacional de zumbis.

É interessante notar como Aragão não só virou sinônimo de um bom diretor pela sua montagem rápida e dinâmica vista principalmente nas cenas de ação dos seus longas, como pela maquiagem realista e que ao mesmo tempo percebemos que é algo feito na “raça”, com efeitos práticos e manuais.

Mangue Negro é a clássica historia do ataque de zumbis a um grupo de desafortunado que tem que se virar para sobreviver num lugar claustrofóbico e hostil. No caso aqui, um mangue, lugar que é explorado de forma soberba pela produção que já relatou as dificuldades de granar num lugar como aquele.

Inclusive, muitos termos usados na região aparecem no filme, coisa que deixou um cara que vive no interior do estado de São Paulo como eu meio perdido.

A trama é básica e sem floreios, um mangue afastado sofre um ataque repentino de zumbis e seus habitantes tem que sobreviver a qualquer custo, curto e grosso do jeito que tem que ser. Ou sou só eu que odeia filmes de mortos vivos que explicam detalhadamente a origem da infecção?

O mocinho da nossa obra é o pacato Luis, interpretado por Walderrama dos Santos, ele é apaixonado por Raquel, feita pela bela Kika de Oliveira.

A falta de jeito do nosso herói para se declarar para a mocinha pode deixar muitas pessoas nervosas, eu mesmo ficava puto cada vez em que ele estava prestes a falar o que sente e algo atrapalhava. Mas ao mesmo tempo, ele se tornando o herói do local e virando um exímio matador de zumbis com sua machadinha é algo gostoso e satisfatório de se ver, eu sempre gostei do personagem do “loser” se tornando o herói, em outras palavras, quando o fracassado local acaba se tornando o único que pode combater e sobreviver uma ameaça terrível.Impossível não compara-lo ao personagem Ash, de Evil Dead, interpretado por Bruce Campbell, afinal, os dois são a pessoa que você jura que morreria primeiro, mas acaba se tornando o “badass” do filme.

Por falar em Evil Dead, vejo muita gente comparando Mangue Negro ao clássico de Sam Raimi, acredito que seja pelo personagem principal parecido e pela violência d longa, o chamado gore, mas fora isso, vejo que os dois filmes são completamente diferentes na sua concepção.Se for para comparar com algo, diria que seria mais os filmes italianos de zumbis.

O interessante do herói desse filme, que mesmo que ele se torne um exímio matador de zumbis, ainda podemos ver o lado humano nele, ele tem coragem de enfrentar os monstros e perigos que aparecem no mangue, mas ao mesmo tempo vemos ele com medo de perder a mulher que ama. E eu adoro ver isso, um personagem que mesmo enfrentando terríveis monstros, ainda é uma pessoa normal, que sente medo, dor, não tem jeito com as mulheres. Ou seja, o típico cara que você acaba adorando ao final do filme.

E destaque também para o melhor personagem do longa, Agenor dos Santos, feito de forma carismática por Markus Konká, ele que introduz o filme e sua presença é algo gostoso de se ver na tela (e por falar nisso, que bela abertura tem esse filme!).

Falei da humanização do personagem principal,mas vejo também, que muitos personagens são caricatos, mas isso vai pelo bem da trama. Como a Preta Velha, interpretado por um homem(!) atrás de quilos de maquiagem. O que eu quero disser, é que mesmo com personagens humanos (gente da gente, do povão), eles tem suas características marcantes.

A violência gráfica (o chamado gore) nesse filme é algo lindo de se ver, quem é fã de ver um bom sangue cenográfico saindo a litros vai ficar feliz. E do que adiantaria bons efeitos sem uma boa edição? Como falei, os cortes são rápidos e precisos, nada que atrapalhe ou deixe nervoso quem assiste, mas todos feitos de forma dinâmica.

Por ultimo, devo falar que o trabalho que fizeram no DVD é algo maravilhoso, alem de inúmeros extras (a edição é dupla) , a embalagem vem com uma bonita luva, encarte e cards do filme, agora me pergunto, se uma produção nacional independente tem um acabamento profissional do jeito que colecionadores como eu procuram, o que fazem as grandes distribuidoras que nos lançam edições cada vez mais vagabundas?


Isso é tudo por hoje, o que tenho para dizer é: vá e assista! Seja pela curiosidade de ver um filme nacional de terror (um tabu para muita gente hoje em dia), ou ainda fãs de zumbis que vão descobrir que o Brasil pode dar o melhor do gênero.


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